Após recorde, setor de rochas naturais apresenta pleitos em Brasília para alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030
Em sessão solene no Congresso Nacional, presidente da Centrorochas, Tales Machado, destacou a necessidade de agilizar licenciamentos mineral e ambiental, melhorar a infraestrutura logística e atualizar a regulamentação do transporte de rochas
O desempenho histórico de US$ 1,48 bilhão em exportações em 2025 fez o setor brasileiro de rochas naturais estabelecer uma meta ambiciosa: atingir US$ 3 bilhões em comercialização externa até 2030. E foi em Brasília, durante sessão solene em homenagem ao segmento, realizada no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, que a Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais) apresentou os pleitos para viabilizar esse crescimento.
A cerimônia inédita foi proposta pela bancada federal do Espírito Santo, maior estado exportador de rochas naturais do País, e reuniu autoridades, lideranças empresariais e representantes de entidades setoriais. Na tribuna, o presidente da Centrorochas, Tales Machado, destacou que os resultados expressivos obtidos são fruto de uma cadeia produtiva organizada, altamente internacionalizada e presente em todas as regiões do país.
O setor de rochas naturais, segundo o presidente da associação, mostrou resiliência, competitividade e capacidade de geração de divisas mesmo em um cenário internacional desafiador. Agora, o momento exige um ambiente regulatório mais ágil, previsível e alinhado à realidade operacional para transformar esse desempenho em um novo ciclo de desenvolvimento.
Entre os pleitos apresentados está a necessidade urgente de maior agilidade e previsibilidade no licenciamento mineral e ambiental, hoje considerado um dos maiores entraves à expansão do setor. Atualmente, o prazo para obtenção de uma autorização oficial para exploração mineral em caráter permanente pode chegar a oito anos e meio, tempo incompatível, segundo a Centrorochas, com a dinâmica de um mercado globalizado.
Como pleito estratégico, o setor pediu a inclusão do Sul do Espírito Santo na área de abrangência da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). “Não se trata de um pedido por privilégio, mas por equidade. Estamos falando do berço histórico do setor, uma região altamente industrializada, exportadora e geradora de empregos, que pode acelerar investimentos e ampliar ainda mais sua contribuição ao desenvolvimento nacional”, pontuou Tales Machado.
O deputado federal Josias Da Vitória (PP-ES), que presidiu a sessão, afirmou que a homenagem nasce da união da bancada do Espírito Santo e do diálogo permanente com quem está na ponta, produzindo, investindo e acreditando no Brasil. “Para os capixabas, o setor é sinônimo de desenvolvimento, geração de empregos e oportunidades por todo o Estado. Mas, para que continue crescendo, é fundamental que o poder público faça a sua parte. Precisamos garantir um ambiente regulatório equilibrado, com segurança jurídica, regras claras e políticas públicas que dialoguem com a realidade de quem produz, investe e gera empregos”, destacou em seu discurso.
O proponente da cerimônia, o deputado federal Evair de Melo (PP-ES), ressaltou que o Estado é referência internacional em beneficiamento, exportação e qualidade e que possui um dos parques industriais mais modernos do mundo. “O setor fortalece a balança comercial brasileira e produz com responsabilidade, gerando desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Temos que dar as mãos para esse setor estratégico. Temos que ter orgulho da indústria, temos que nos posicionar sempre e melhorar o ambienta de negócios com segurança jurídica. Apoiar o setor é fortalecer o Espírito Santo, defender empregos e exportações”, afirmou.
O vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço, que recebeu a homenagem em nome do Governo do Estado, reforçou o setor de rochas ornamentais como importante indutor no desenvolvimento do Espírito Santo. “Ele é parte da identidade econômica e cultural do Estado. Nas últimas décadas, essa cadeia se estruturou, profissionalizou e conquistou os mercados internacionais, passando a ser o maior polo de beneficiamento de rochas das Américas. Tudo isso também é resultado de um ambiente transparente. O governo sabe que apoiar o setor é apoiar o desenvolvimento e, por isso, investe em inovação, tecnologia, infraestrutura, segurança jurídica e capacitação. Quando olhamos para a trajetória do segmento, percebemos que o setor é um exemplo claro da existência de apoio e trabalho coletivo”.
Além de toda a importância econômica e de fortalecimento do setor, o evento joga luz no excelente trânsito do vice-governador Ricardo Ferraço no ambiente.
O setor de rochas tem naturalmente uma tendência política que caminha pelas estradas da direita, que pode ter duas frentes diferentes na disputa eleitoral deste ano no Espírito Santo. Além de Pazolini, com o crescimento do projeto de Flávio Bolsonaro, Magno Malta pode oferecer um palanque puro sangue para o seu líder em terras capixabas.
Apesar disto, Ricardo, que construiu boa parte da sua trajetória no campo da centro-direita e é herdeiro político de Casagrande, foi quem sempre esteve muito próximo do setor produtivo. O saldo após o evento ficou claro. O setor de rochas do ES já definiu qual caminho seguir e esta escolha tem forte impacto eleitoral.


