Por Roberto Velasco – Publicitário e especialista em comunicação pública e marketing político
Nos últimos anos, o debate político passou a ser fortemente influenciado por métricas digitais: curtidas, visualizações, engajamento e seguidores. Criou-se a impressão de que quem domina as redes sociais automaticamente domina o eleitorado. No entanto, a história recente das eleições brasileiras mostra que essa correlação nem sempre é verdadeira.
O caso do vice-governador Ricardo Ferraço ilustra bem essa diferença entre popularidade digital e força política real.
Ricardo não lidera os rankings de engajamento nas redes sociais quando comparado a possíveis adversários. Seus vídeos não viralizam com a mesma frequência, seus perfis não exibem os maiores números e sua comunicação digital é mais institucional do que performática. Ainda assim, ele se apresenta hoje como um dos nomes mais sólidos para a sucessão estadual, com apoio declarado da maioria dos prefeitos capixabas e ampla articulação política no interior.
Isso revela um ponto fundamental: eleição se ganha no território, não apenas no algoritmo.
Um candidato pode ser altamente comentado, compartilhado e visualizado, mas isso não garante transferência automática para a urna. Muitas vezes, o engajamento digital vem de públicos concentrados em grandes centros urbanos ou de bolhas ideológicas específicas.
Já o apoio político estruturado, prefeitos, lideranças regionais, vereadores e movimentos locais, constrói algo que nenhuma plataforma entrega: capilaridade territorial.
Ricardo Ferraço possui hoje uma rede de apoio que se estende por praticamente todo o estado. Prefeitos não são apenas apoiadores simbólicos; são mediadores diretos entre governo e população, conhecem as demandas locais e influenciam comunidades inteiras. Esse tipo de capital político é silencioso, mas extremamente eficaz.
Enquanto alguns pré-candidatos investem prioritariamente em linguagem de rede social, Ricardo construiu sua trajetória baseada em gestão pública, presença institucional e diálogo com diferentes setores: municípios, setor produtivo e lideranças comunitárias. Isso cria um perfil menos ‘barulhento’ nas plataformas digitais, mas mais sólido na percepção do eleitor comum, aquele que decide seu voto a partir de resultados concretos: obras, serviços, emprego e estabilidade.
Em campanhas recentes no Brasil, vimos candidatos com altíssimo desempenho digital ficarem pelo caminho, enquanto nomes com estrutura política e alianças territoriais avançaram com consistência.
Existe hoje uma armadilha estratégica: confundir barulho com maioria. As redes amplificam discursos mais agressivos, emocionais e polarizados. Mas o eleitor médio, fora do ambiente das bolhas digitais, continua sendo pragmático. Ele quer saber quem tem capacidade de governar, quem conhece o estado e quem tem condições reais de articular soluções.
Nesse sentido, Ricardo Ferraço apresenta uma vantagem competitiva importante que une experiência administrativa, trânsito político amplo, apoio institucional consistente, e imagem de continuidade com estabilidade. Esses fatores pesam muito mais na reta final de uma eleição do que qualquer pico de engajamento.
O ponto central não é afirmar que redes sociais não importam, elas importam, e muito. O desafio para Ricardo Ferraço está em traduzir sua força política real em uma narrativa digital mais clara, mais próxima do cidadão e menos burocrática. Se conseguir alinhar sua robustez institucional com uma comunicação digital mais humana, emocional e acessível, tende a reduzir a distância entre desempenho online e intenção de voto.
Em política, quem vence não é quem grita mais alto na internet, mas quem constrói pontes no território. E, neste momento, Ricardo Ferraço parece estar vários passos à frente nesse jogo.


