O tabuleiro político capixaba começa a ganhar novos contornos nos bastidores. O nome do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), que até pouco tempo era apontado como candidato quase certo à Câmara dos Deputados, passou a figurar também em outro cenário: a possibilidade de compor como vice na eventual candidatura do atual vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) ao Palácio Anchieta.
A mudança de leitura política ganhou força nas últimas semanas, à medida que interlocutores e lideranças partidárias passaram a admitir que o presidente do Legislativo pode trabalhar com duas frentes simultâneas: disputar uma vaga na Câmara Federal ou integrar uma chapa majoritária.
Uma eventual composição tem, inclusive, um aspecto favorável para Marcelo. Como deputado estadual, ele não precisaria renunciar ao mandato para disputar o cargo de vice-governador, o que lhe garante margem de manobra política até as convenções partidárias.
Nos bastidores, aliados relatam que o presidente da Assembleia demonstra disposição para entrar no jogo eleitoral. Ainda que evite declarações públicas mais contundentes, o movimento tem sido percebido tanto dentro do parlamento quanto entre lideranças partidárias.
O período que antecede as convenções promete ser decisivo para medir a capacidade de articulação de Marcelo e de Ricardo. Ambos ocupam posições estratégicas na estrutura política do Estado — um à frente do Legislativo e outro no Executivo —, o que pode favorecer a construção de uma aliança com forte capilaridade institucional e política.
No campo partidário, a federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — também busca ampliar seu protagonismo dentro do grupo político que hoje apoia o governador Renato Casagrande (PSB). Entre as reivindicações da federação estão justamente a vaga de vice na chapa ao governo e espaço na disputa pelo Senado.
As conversas têm ocorrido com frequência e incluem encontros com o próprio governador para discutir os rumos da sucessão estadual.
Outro fator que pesa na equação envolve a disputa por vagas na Câmara dos Deputados. O campo governista reúne nomes já consolidados eleitoralmente, como Amaro Neto, Da Vitória, Evair de Melo e, em breve, Messias Donato. Nesse cenário, a eventual ida de Marcelo para uma chapa majoritária poderia reduzir a pressão interna por espaço nessa disputa, especialmente entre grupos que hoje avaliam filiação ao Progressistas.
Enquanto as definições não chegam, um sinal político já chama atenção: a aproximação entre Marcelo e Ricardo tem se tornado cada vez mais visível. Nesta segunda-feira (9), por exemplo, os dois participaram juntos de uma reunião do grupo de trabalho criado para discutir a situação do setor de varejo de material de construção no Espírito Santo.
Em meio a movimentações e especulações, uma coisa é certa: o período pré-convenções promete intensificar as articulações e revelar qual será, de fato, o caminho político escolhido pelo presidente da Assembleia.

