Sem citar nomes, mas como quem manda um recado com destinatário certo, o governador Renato Casagrande (PSB) fez um discurso com críticas ao autoritarismo, à polarização política e a uma suposta “volta ao passado”, durante a abertura do ano legislativo na Assembleia.
Citando o Sermão da Montanha e as bem-aventuranças – registrados na Bíblia, mais precisamente no Evangelho de Mateus –, Casagrande afirmou que é preciso buscar a paz, governar com mansidão e combater a “arrogância e a prepotência”.
“Estamos num momento em que é preciso fazer uma força contrária ao excesso de arrogância, prepotência, ao excesso de violência que a gente vê em alguns representantes das nossas instituições”, afirmou, sem citar quais.
Segundo ele, o mundo assiste a um “nível de violência muito intenso” nas instituições de dentro e fora do País e que um dos principais desafios, ao longo dos últimos anos, tem sido lidar com a polarização política.
“Tivemos que enfrentar esses desafios, o desafio maior nesse período é a polarização política, a violência política. A busca permanente de algumas lideranças de comunicar só com uma parcela da sociedade e não ter capacidade de dialogar de forma mais ampla. Cada um na sua instituição enfrenta isso”, afirmou o governador.
Casagrande afirmou que a sociedade não quer uma volta a um passado de autoritarismo.
“Você pode governar com autoridade sendo humilde e tendo capacidade de diálogo, não precisa ser arrogante, prepotente, autoritário, achar que o governo é vertical, de cima pra baixo. A gente tem que compreender que esse é o momento de ter uma sociedade horizontal e o governante tem que estar aberto a dialogar com todo mundo, porque isso é o que a sociedade deseja hoje”. E acrescentou:
“Ninguém quer um retorno ao passado, em que a gente tenha autoritarismo e força para poder manter o controle das instituições. As instituições hoje têm liberdade de conversar, dialogar, expor os seus problemas e, juntos, vamos encontrar um caminho. Esse é o segredo do nosso Estado e por isso esse é o momento mais importante que a gente está vivendo”.
A quem se referiu?
Após o discurso, o governador foi procurado pela imprensa e questionado sobre a fala.
Ele disse que estava falando em tese sobre modelos de governo. “Em tese, ninguém mais quer um governo do passado, em que governavam de forma piramidal, de cima para baixo. Nem as pessoas e nem as instituições. As instituições se acostumaram com esse jeito da gente de dialogar, sentar à mesa, ter uma governança e um trabalho compartilhados”.
Sobre estar se referindo a alguém específico, Casagrande descartou. “Estou falando em tese, as pessoas sabem quem tem prática moderna e quem tem prática ultrapassada. Isso faz parte de um conceito que eu sempre defendi, não é agora que eu estou defendendo”.


